
Quimioterapia causa infertilidade masculina?
A quimioterapia é um dos principais tratamentos utilizados no combate ao câncer. No entanto, seus efeitos colaterais podem impactar diversas funções do organismo, incluindo a fertilidade masculina.
Mas será que a infertilidade masculina causada pela quimioterapia é irreversível? Existem formas de preservar a fertilidade antes do tratamento?
Neste artigo, vamos esclarecer essas questões e apresentar a oncofertilidade como uma alternativa viável para aqueles que desejam ter filhos no futuro.
O que é quimioterapia?
A quimioterapia é um tratamento médico utilizado no combate ao câncer. Consiste na administração de medicamentos que têm como objetivo destruir ou inibir o crescimento das células cancerígenas.
Os medicamentos podem ser administrados de diferentes formas, como via oral, intravenosa ou intramuscular, dependendo do tipo de câncer e da recomendação médica.
Os quimioterápicos atuam de maneira sistêmica, ou seja, circulam por todo o corpo para eliminar células doentes.
No entanto, como esses medicamentos não conseguem diferenciar completamente células cancerígenas de células saudáveis, podem afetar também tecidos normais do organismo, como aqueles responsáveis pela produção de espermatozoides.
Para que serve a quimioterapia?
A quimioterapia pode ser utilizada com diferentes finalidades, dependendo do estágio e do tipo de câncer. Entre os principais objetivos desse tratamento, destacam-se:
- Curativo: em alguns casos, a quimioterapia pode eliminar completamente o câncer.
- Adjuvante: é utilizada após a cirurgia para eliminar células cancerígenas remanescentes e reduzir o risco de recidiva.
- Neoadjuvante: aplicada antes da cirurgia ou radioterapia para reduzir o tamanho do tumor e facilitar a remoção.
- Paliativo: usada para aliviar sintomas e melhorar a qualidade de vida de pacientes com câncer avançado.
Independentemente do objetivo, é fundamental considerar os possíveis efeitos colaterais, incluindo a infertilidade masculina.
Quimioterapia e infertilidade masculina: qual é a ligação?
A infertilidade masculina decorrente da quimioterapia ocorre devido ao impacto dos quimioterápicos sobre os testículos, responsáveis pela produção de espermatozoides e testosterona.
O efeito acontece porque os medicamentos podem destruir as células germinativas, que são as precursoras dos espermatozoides.
A extensão desse impacto varia conforme alguns fatores, como:
- Tipo e dose dos quimioterápicos utilizados;
- Duração do tratamento;
- Idade do paciente;
- Presença de outras condições médicas.
Alguns quimioterápicos têm maior toxicidade para as células reprodutivas, como os agentes alquilantes (exemplo: ciclofosfamida), que podem levar a uma diminuição severa ou até mesmo à perda total da produção espermática.
A infertilidade é irreversível?
A infertilidade masculina após a quimioterapia pode ser temporária ou permanente. Em alguns casos, o organismo pode recuperar gradualmente a produção de espermatozoides ao longo do tempo, mas isso pode levar anos e nem sempre acontece.
Estudos apontam que a quimioterapia pode levar à infertilidade permanente em até 50% dos homens tratados, especialmente quando são utilizados agentes alquilantes como ciclofosfamida ou procarbazina.
Diante dessa incerteza, muitos homens optam por preservar sua fertilidade antes do tratamento, garantindo a possibilidade de ter filhos no futuro.
Você conhece a oncofertilidade?
A oncofertilidade é uma área da medicina reprodutiva que busca preservar a fertilidade de pacientes diagnosticados com câncer. A abordagem se tornou fundamental para homens que desejam ter filhos após o tratamento oncológico.
No caso dos pacientes que irão passar por quimioterapia, a preservação da fertilidade masculina pode ser realizada por meio do congelamento de espermatozoides.
A técnica permite que os gametas sejam armazenados por tempo indeterminado e utilizados futuramente em procedimentos de reprodução assistida, como a fertilização in vitro.
Como congelar os espermatozoides
O congelamento de espermatozoides, também chamado de criopreservação seminal, é um processo simples e seguro. Ele pode ser feito antes do início da quimioterapia para garantir que o paciente tenha a possibilidade de gerar filhos no futuro.
O procedimento envolve as seguintes etapas:
- Coleta do sêmen: o paciente realiza a coleta por meio da masturbação em um ambiente reservado e apropriado.
- Análise laboratorial: o material coletado é analisado para verificar a qualidade e a quantidade dos espermatozoides.
- Processamento e congelamento: o sêmen é preparado e armazenado em tanques de nitrogênio líquido a -196°C, garantindo a preservação dos espermatozoides por tempo indeterminado.
- Utilização futura: quando o paciente desejar ter filhos, os espermatozoides congelados podem ser utilizados em tratamentos de reprodução assistida.
O procedimento é altamente eficaz e já permitiu que muitos homens tratados contra o câncer pudessem ter filhos biológicos mesmo após a quimioterapia.
Conheça a Huntington
A quimioterapia pode, sim, afetar a fertilidade masculina, mas isso não significa que não existam alternativas para aqueles que desejam ser pais no futuro.
Com o avanço da medicina reprodutiva, a oncofertilidade se tornou uma solução viável, permitindo que homens enfrentam o câncer sem abrir mão do sonho da paternidade.
Se você busca informações sobre a preservação da fertilidade antes da quimioterapia, procure a Huntington e conheça as melhores opções para o seu caso!
Dra. Gabriella de Oliveira